Berço do Pentecostalismo no Estado
Boca do Córrego, localizada no município de Belmonte, às margens do rio Jequitinhonha, é reconhecida como o ponto de partida do Pentecostalismo no estado da Bahia.
Boca do Córrego, uma pequena e histórica localidade no município de Belmonte, às margens do rio Jequitinhonha, é reconhecida como o ponto de partida do Pentecostalismo no estado da Bahia e o lar da Igreja-Mãe das Assembleias de Deus.
Durante o início do século XX, a região era isolada e predominantemente rural. Sua posição geográfica a tornava de difícil acesso, mas também a preservava como um refúgio para aqueles que desejavam buscar a Deus sem interferências externas. Embora geograficamente distante dos grandes centros, a localidade desempenhava um papel estratégico, conectada a outras comunidades por meio do rio Jequitinhonha.
A localidade foi escolhida não por sua relevância econômica ou política, mas porque Deus, em Sua soberania, usou este pequeno povoado para manifestar Sua glória e iniciar um movimento que transformaria a Bahia e o Brasil. O templo original era uma estrutura modesta, feita de tábuas e materiais simples, mas ali, sob pregações ungidas e momentos de fervorosa oração, muitos experimentaram o batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais descritos na Bíblia.
A Pioneira da Fé
A mulher que trouxe a chama pentecostal para a Bahia
PIONEIRA DA FÉ
A história do Pentecostalismo na Bahia começa com a jornada de Joaquina de Souza Carvalho. Nascida na localidade de Os Correias, no distrito de Boca do Córrego, Joaquina e seu esposo José Clodoaldo eram membros da Igreja Batista, mas enfrentaram intensa perseguição religiosa que os levou a buscar refúgio em Belém do Pará, por volta de 1917.
Em Belém, teve contato com os missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, sendo batizada com o Espírito Santo em 1918. Essa experiência mudou completamente sua vida e sua visão espiritual. Joaquina começou a buscar ao Senhor com insistência, pedindo direção para retornar à Bahia. Em oração, teve uma visão de um caminho cheio de pedras, e ouviu a voz de Deus. Somente em 1919, Deus lhe revelou novamente o mesmo caminho — desta vez limpo e preparado para sua passagem.
De volta a Os Correias, começou a pregar para familiares e vizinhos. Entre os primeiros a aceitarem a mensagem estavam Isidoro, Edvirgens e Vitória, além de seus irmãos Manoel, João, Rita, Inês e Maria Paulina. Mesmo enfrentando forte oposição e perseguição — incluindo o fechamento da congregação por opositores — sua fé permaneceu inabalável. Testemunhos de curas e milagres começaram a transformar a percepção da comunidade e atrair novos convertidos.
Nossa Trajetória
Os marcos que definiram a história da Igreja-Mãe da Bahia
1917–1918
Joaquina e José Clodoaldo migram para Belém do Pará, fugindo de perseguição religiosa. Lá, têm contato com os missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Em 1918, Joaquina é batizada com o Espírito Santo — experiência que mudaria o rumo da história espiritual da Bahia.
1919
Após receber confirmação divina através de uma visão, Joaquina retorna à localidade de Os Correias e começa a pregar a mensagem pentecostal. Familiares como Isidoro, Edvirgens e Vitória são os primeiros a abraçar a nova fé. Os cultos iniciais acontecem nas casas da tia Judite e da avó Rosa.
1924
O missionário sueco Otto Nelson atende ao apelo de Joaquina e realiza uma longa e perigosa viagem — de Salvador a Ilhéus, depois à deriva no mar até Comandatuba, e mais 25 horas de canoa rio acima. Juntos, organizam cultos, pregam e consolidam as primeiras congregações pentecostais na região de Os Correias e Boca do Córrego.
Final de 1925
Em uma vigília em Boca do Córrego, Teodoro Feliciano Santana — até então diácono da Igreja Batista — recebe o batismo no Espírito Santo. Essa experiência transforma sua vida e o direciona ao Pentecostalismo, sendo desligado da Igreja Batista por sua adesão ao novo movimento.
1927
O pastor João Pedro da Silva, enviado por Otto Nelson, conduz o primeiro batismo nas águas na Bahia, na região dos Correias. A irmã Maria Larchert de Carvalho, prima de Joaquina, é a primeira cristã batizada nas águas no estado — um marco que formaliza o início da Assembleia de Deus na região.
12 de Outubro de 1929
Em Canavieiras, Otto Nelson consagra Teodoro Feliciano Santana como o primeiro pastor da Assembleia de Deus na Bahia. Após um período de preparação ministerial em Recife e Maceió, Teodoro assume a liderança e dedicaria sua vida à expansão da obra por Canavieiras, Itabuna, Belmonte, Mascote e diversas outras localidades.
Décadas de 1930–1970
A obra se expande com a inauguração de templos em Boca do Córrego, Canavieiras e Rio São Pedro. O pastor Teodoro, ao lado de obreiros como o presbítero Pedro Pereira da Silva, lidera a construção de templos e a formação de novas congregações por toda a região. Os eventos em Rio São Pedro reuniam líderes de Ilhéus, Itajuípe e Pau Brasil para momentos de jejum, oração e estudos bíblicos.
2022 – 2024
Em novembro de 2022, o pastor José Carlos do Vale Silva assume a liderança da Igreja-Mãe, designado pelo pastor Valdomiro Pereira da Silva, presidente da CEADEB. Em 21 de novembro de 2024, é inaugurado o Museu Irmã Joaquina Carvalho, preservando objetos históricos, documentos e a memória dos pioneiros que edificaram o Pentecostalismo na Bahia.
Conheça a História Completa
Uma obra que reúne pesquisa, depoimentos e documentos históricos
A jornada de Joaquina ao Pará, a perigosa viagem do missionário Otto Nelson — dias à deriva no mar, 25 horas de canoa rio acima —, os primeiros batismos, as perseguições enfrentadas e a consolidação de uma das igrejas mais importantes do Pentecostalismo brasileiro: toda esta história está reunida em um livro especial.
"A Chama Pentecostal na Bahia — A História da Igreja-Mãe em Boca do Córrego", de autoria do Pb. Miquéias Reale da Cruz e do Pr. Gideão Silva Santos, é fruto de pesquisa aprofundada, depoimentos e documentos históricos, reunidos para preservar o legado dos pioneiros e fortalecer a identidade espiritual das novas gerações.
Disponível em exemplar físico (com entrega para todo o Brasil) e e-book (enviado por e-mail). Ao adquirir, você contribui com a preservação dessa história!
Nossa Identidade
Os pilares que sustentam a fé e o compromisso da Igreja-Mãe da Bahia
Proclamar o Evangelho de Jesus Cristo, batizar com o Espírito Santo e preparar vidas para a volta do Senhor.
Ser uma igreja fiel aos princípios pentecostais, preservando nossa história e impactando gerações.
Fidelidade bíblica, unção pentecostal, amor ao próximo e compromisso com a obra de Deus.
"Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus, e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram."Hebreus 13:7