A Chama Pentecostal que Veio do Pará e Acendeu a Bahia Inteira
Conheça a trajetória de fé, coragem e perseverança que deu origem ao Pentecostalismo no estado da Bahia
O Começo de Tudo
A história da Assembleia de Deus na Bahia começa em Boca do Córrego — um pequeno distrito de Belmonte, no sul do estado, às margens do rio Jequitinhonha. Era 1919 quando a irmã Joaquina de Souza Carvalho, após receber o batismo no Espírito Santo no Pará, retornou à sua terra natal carregando o fogo pentecostal.
O que poderia parecer um início humilde — uma mulher simples, numa pequena comunidade rural — revelou-se o ponto de partida de um movimento que hoje cobre todo o estado da Bahia com incontáveis congregações, milhares de membros e a mesma chama que ardeu pela primeira vez naquele lugarzinho à beira do rio.
Deus, em Sua soberania, escolheu este pequeno povoado — não por sua relevância econômica ou política, mas para manifestar Sua glória e iniciar um avivamento que alcançaria todo o estado.
"O que inicialmente parecia ser uma derrota e uma fuga era, na verdade, o caminho traçado por Deus para preparar Joaquina para uma missão transformadora."
Natural da localidade de Os Correias, próximo a Boca do Córrego, Joaquina e seu esposo José Clodoaldo eram membros da Igreja Batista, mas enfrentaram intensa perseguição religiosa. Buscaram refúgio em Belém do Pará por volta de 1917, onde tiveram contato com os missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Em 1918, Joaquina foi batizada com o Espírito Santo — experiência que mudou completamente sua vida.
Em 1919, após receber confirmação divina através de uma visão, retornou à Bahia e começou a pregar entre familiares e vizinhos. Os primeiros cultos aconteceram na casa da tia Judite e, depois, na casa da avó Rosa. Mesmo enfrentando forte oposição — incluindo o fechamento da congregação —, sua fé inabalável e seus testemunhos de curas e milagres lançaram as bases do Pentecostalismo na Bahia.
Seu legado é hoje preservado no Museu Irmã Joaquina Carvalho, inaugurado em 2024 em Boca do Córrego.
1919 — Boca do Córrego — Bahia
O Missionário
A perigosa jornada que consolidou o Pentecostalismo na Bahia
Em 1924, o missionário sueco Otto Nelson, que estava em Maceió, recebeu uma carta de Joaquina relatando o progresso do Evangelho em Os Correias e pedindo ajuda. Comovido pelo relato, decidiu atender ao chamado — sem saber das reais dificuldades da viagem.
A jornada foi uma verdadeira prova de fé: de Salvador a Ilhéus de vapor, dois dias à deriva no mar sem vento até Comandatuba, 15 horas de canoa por rios e manguezais até Canavieiras, e ainda mais 25 horas rio acima até Os Correias. Quando questionou Joaquina sobre a distância não mencionada na carta, ela respondeu: "Se eu contasse, talvez o irmão não viesse."
Juntos, Otto e Joaquina dedicaram dias ao trabalho missionário, pregando, realizando batismos e consolidando as primeiras congregações. Essa parceria marcou o início de uma nova fase para o Pentecostalismo na Bahia.
Maceió → Salvador → Ilhéus → Comandatuba → Canavieiras → Os Correias → Boca do Córrego
Cronologia
Os marcos que moldaram mais de um século de história
1917–1919
Joaquina e José Clodoaldo migram ao Pará, onde ela é batizada no Espírito Santo em 1918. Em 1919, retorna a Os Correias e começa a pregar a mensagem pentecostal.
1924
O missionário sueco realiza uma longa e perigosa viagem até Boca do Córrego, organiza cultos, realiza batismos e consolida as primeiras congregações.
1927
O pastor João Pedro da Silva conduz o primeiro batismo nas águas na Bahia. Maria Larchert de Carvalho, prima de Joaquina, é a primeira cristã batizada no estado.
12 de Outubro de 1929
Teodoro Feliciano Santana é consagrado por Otto Nelson em Canavieiras, tornando-se o primeiro pastor pentecostal do Estado da Bahia.
Décadas de 1930–1970
A partir de Boca do Córrego, a mensagem se expande para Canavieiras, Itabuna, Belmonte, Mascote e diversas outras localidades, com a construção de templos e formação de obreiros.
21 de Novembro de 2024
É inaugurado o Museu Irmã Joaquina Carvalho — preservando objetos, documentos e fotos dos pioneiros. A Igreja-Mãe é reinaugurada e revitalizada.
A Assembleia de Deus em Boca do Córrego é filiada eclesiasticamente à Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia — CEADEB, mantendo autonomia financeira e administrativa. Esta vinculação reforça a unidade doutrinária e o compromisso com a integridade da mensagem assembleia em todo o estado.
Aprofunde-se Nesta História
Tudo o que você leu aqui é apenas um resumo. A história completa — com detalhes da viagem de Otto Nelson, os depoimentos dos pioneiros, o acervo do museu e muito mais — está reunida no livro "A Chama Pentecostal na Bahia".
Ao adquirir o livro, você contribui diretamente com a manutenção do Museu Irmã Joaquina Carvalho e com a preservação das origens do Pentecostalismo na Bahia.
"Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus, e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram."Hebreus 13:7